A hidropatia chega ao lar: Antonio Díaz Peña e o primeiro manual impresso no Uruguai. Montevidéu, 1861
DOI:
https://doi.org/10.35954/SM2025.44.2.8.e701Palavras-chave:
balneología/história, características organolépticas da água, história da medicina, medicina tradicional, naturologiaResumo
A hidropatia, uma prática médica baseada no uso da água para promover a cura, surgiu no século XIX como uma alternativa à medicina ortodoxa, dominada por métodos invasivos e muitas vezes prejudiciais, como a sangria e o uso de drogas. Praticada pelos chamados hidropatas, essa doutrina baseava-se na tríade estímulo-reação-acostumamento, administrando água fria de diversas formas: banhos, esfregões ou imersões. Apesar de não ter eficácia comprovada, a hidropatia era popular e aceita na época, em parte porque não causava danos ao paciente.
Antonio Díaz Peña foi uma figura proeminente na difusão dessa prática em Montevidéu. Em 1861, ele publicou seu Manual de Hidropatia Doméstica, uma obra acessível e didática, traduzida ou copiada em grande parte de publicações europeias, especialmente do inglês Edward Johnson. A obra, impressa em Montevidéu e considerada rara, promovia a hidropatia como uma “ciência divina” com raízes no sacramento do batismo, combinando a medicina natural com argumentos evangélicos. Díaz Peña defendia a hidroterapia como uma prática segura, recomendando seu uso em hospitais e na vida cotidiana, além de propor a incorporação de hidropatas em instituições médicas oficiais.
A oposição dos médicos ortodoxos foi forte, em defesa de seu monopólio e em rejeição a tratamentos que, embora ineficazes ou perigosos, não causavam danos, ao contrário das terapias tradicionais. A hidropatia, acompanhada por uma série de publicações e sanatórios, chegou a se tornar uma opção popular em Montevidéu, com clínicas como a de Luis Curbelo Báez. Embora atualmente tenha caído no esquecimento, em sua época representou uma alternativa notável à medicina convencional, refletindo a resistência à mudança e a busca por soluções menos invasivas naquela época.
NOTA: Este artigo foi aprovado pelo Comitê Editorial.
Recebido para avaliação: maio de 2025.
Aceito para publicação: julho de 2025.
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